Setor agrícola do Sudoeste lucra mais de R$ 87,7 milhões com dejetos animais

Por Guilherme Zimermann quarta-feira, 06 set 2017 15:00 PM

Os produtores rurais do Sudoeste do Paraná lucraram mais de R$ 87,7 milhões com a comercialização de dejetos animais em 2016 – valor 2,8% maior que o do ano anterior. Os dados são do Valor Bruto de Produção (VBP) da Secretaria da Agricultura do Estado.

Dois Vizinhos, Francisco Beltrão e Enéas Marques, destaques na produção avícola, foram os municípios com maiores cifras através da venda de esterco de suínos, bovinos, poedeiras e as camas de aviários, material utilizado para a produção de adubos e fertilizantes.

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Conforme pesquisa da Embrapa, a cama de aviário é mais uma alternativa para a adubação orgânica e é uma ótima opção no cultivo de pastagens, grãos e fibras, pois aumenta a biomassa de pastagem, a capacidade de lotação do pasto e melhora a produtividade dos grãos.

A cama de frango e esterco animal podem ser utilizada na produção de uma extensa gama de lavouras, porém são necessários alguns cuidados. Antes da aplicação, deve ser realizada a análise do solo e também do material curtido, para verificar se é preciso o balanceamento com a adição de outros nutrientes. De acordo com a fase de desenvolvimento, as plantas possuem diferentes exigências, o que implica formulações distintas de adubos.

Retirada dos galpões, a cama de frango necessita passar pela compostagem. Sem isso, substâncias em altas concentrações no material podem danificar o plantio. As raízes das plantas são prejudicadas com a elevação da temperatura durante a fermentação da cama; solo e água ficam sujeitos à contaminação química; e proliferam moscas e agentes patogênicos, com sérios riscos ao meio ambiente.

Da elaboração de compostagem, que consiste na fermentação do material com a presença de ar (aeróbica) ou sem (anaeróbica), muitas substâncias podem ser geradas. No processo anaeróbico em biodigestores, são liberados gases, principalmente o metano, que é utilizado na geração de energia. Em regiões tradicionais de avicultura, o consumo desses gases é realizado para aquecimento das granjas e obtenção de eletricidade.

Sob a ação de micro-organismos aeróbicos, são disponibilizados nutrientes, cujo volume poderia ser elevado se a fabricação de adubo orgânico ocorresse em escala industrial. Com o processamento da cama de frango, visando à maior oferta de nutrientes, seria possível aumentar a industrialização de fertilizantes organominerais e, assim, reduzir a dependência do país da importação desses itens. Cerca de 60% dos componentes usados na fabricação de fertilizantes são importados em grande quantidade pelo Brasil. (Fonte: Revista Globo Rural e Jornal Dia de Campo)